E a comida de rua? Como fica?

Geralmente pensamos que os mais prejudicados pelo coronavírus são os bares e restaurantes. Você já parou para pensar nos vendedores de rua? Aquelas pessoas que vendem comida na rua também foram afetadas tanto pelo isolamento, quanto pelas consequências posteriores. Como os clientes vão encarar os negócios que não têm tanta infraestrutura para um atendimento com menos contato, que talvez não consigam seguir os protocolos?

Em São Paulo esse tipo de comércio surgiu no século XVIII, feito por quitandeiras, mulheres escravas e forras que com seus tabuleiros vendiam milho, içá e bicho de taquara nas ruas, para os trabalhadores que ali passavam (SILVA, 2008). O cenário atual é semelhante, sem a venda de insetos por escravas, mas continua sendo o milho vendido por uma mulher na porta da estação de metrô para o trabalhador que está voltando para casa.

Assim, voltamos ao questionamento, o que acontece e vai acontecer com esses comerciantes durante e após a pandemia? Segundo o Sebrae, em 2019 o número de registros no MEI (Microempreendedor Individual) ultrapassou a casa dos 8 milhões de pessoas que passaram em média 10 anos sendo informais e 76% destes não possuem outra renda. Dessas pessoas 54% querem aprender sobre controles financeiros e 77% não tiveram acesso a nenhuma formação ou treinamento de administração financeira. Continuando na área de finanças básicas, 2/3 dos MEI não possuem previsão de caixa do mês seguinte, 1/3 não faz nenhum tipo de registro de custos e receitas e não verificam o saldo do seu negócio com frequência. Levando a acreditar que essas pessoas não sabem calcular suas despesas básicas e assim fazer um planejamento financeiro. Dessa forma, serão ainda mais prejudicadas pela crise causada pela pandemia, já que os serviços ambulantes de alimentação (mais de 180.000 profissionais) compõem uma das áreas mais afetadas com o isolamento social.

Essa falta de conhecimento dos empreendedores em relação às suas despesas administrativas faz com que eles tenham dificuldade em superar essa crise e mesmo que consigam, o pós-pandemia será mais hostil que nunca. O que antes as pessoas não se preocupavam em relação a higiene, hoje o medo é algo que permeia na hora do cliente consumir, principalmente, em se tratando de alimentos e bebidas. Além da falta de infraestrutura dos vendedores de comida de rua, o investimento em equipamentos, produtos de limpeza e mais embalagens fará com que seguir o protocolo seja algo quase inviável financeiramente.

Com um cenário tão complexo, algumas saídas para essa situação são a busca por informações sobre finanças básicas para o planejamento e para seguir as medidas dos novos protocolos de higiene e atendimento ao cliente. Talvez isso não seja suficiente, vamos ter que contar também com o uso da criatividade brasileira a fim de solucionar seus problemas.  

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